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quinta-feira, 31 de maio de 2007

Não digas a ninguém

Porque não posso aceitar essa etiqueta de ignorância, a partir de agora (e independentemente do que o futuro me reservar) vou fazer um registo dos meus actos culturais, tenham eles a forma que tiverem. Ora vamos lá:
Ontem fui ver um magnífico filme francês - Não digas a ninguém - realizado por Guillaume Canet e com François Cluzet, Marie-Josée Croze, André Dussollier entre outros. Prende-nos ao écran e tem uma maravilhosa banda sonora que ritma todo o percurso da trama.
Cluzet, o Dustin Hoffman europeu, brilha com uma interpretação extraordinária, galardoada com o césar de melhor actor.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Filmes...


Entre bons filmes e maus filmes vou deambulando na minha fase mais cinéfila possível. Estou doente por filmes e entre estes, entregas de Óscares, block bostas, multas de atrasos e críticas e procuras na net por mais informações... Não me sinto mais culta mas mais informada com algum medo, confesso, de deixar cair o meu consciente na ficção. Acontece-me de vez em quando e tema que seja sinónimo de deslize para a loucura. Por exemplo, ao ver um Dr. House imagino o meu corpo por dentro...que temo que esteja infectado, que esteja carcomido... enfim, mas vou-me divertindo e obcecando...
No filme principal que diariamente assisto a uma sequela sou apenas figurante. Assisto quase passivamente a um filme que diria um misto de hitchcok com Alejandro González Iñárritu. O primeiro cria suspense até ao último minuto, misturando, por vezes malícia e perversidade. O segundo tem várias histórias em simultâneo que juntas dão-nos uma visão holística da realidade. Não posso adivinhar o fim desta história que esta a ficar cada vez mais macabra. Não é uma novela da globo onde possa ler num site brasileiro os próximos capítulos, mas a minha intuição, que geralmente me oferece um pouco mais do que o óbvio, não me dá pistas concretas. Sei que na trama, quem se trama são os figurantes. Os danos são colaterais - como no Match Point tão bem disse Chris Wilton (Jonathan Rhys Meyers) e por vezes justificam-se em função de um objectivo superior. Tal como na guerra, na tela - nesta tela especificamente - não tenho grandes dúvidas que os personagens principais vão acabar bem. Já quanto a nós, que somos tantos, que participamos menos, seremos certamente aqueles que apanharão as balas e darão o corpo para salvar os outros, porque alguém tem de sair bem...
Só o realizador pode mandar o argumentista mudar o caminho e... há sempre excepções...

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Não és tu, sou eu...

Ontem vi este filme argentino, nas cadeiras empoeiradas pela falta de uso do Cinema Palmeiras. Não és tu, sou eu, é um clássico. Uma pérola. Fala da história que quase toda a gente que eu conheço, num papel ou no outro, já viveu.
Um namoro perfeito, mais ou menos estabilizado. Resolvem emigrar. Ela vai poucos dias mais cedo e lá tem à espera uma família amiga dos seus pais.. consegue uma entrevista de trabalho para o mais que recém marido, um emprego e vai de fim-de-semana. Afinal de fim-de-semana só foi ela e o amigo do pai. O resto da família continua em Miami. Poucos dias depois, em conversa telefónica, já ele tinha libertado o apartamento, deixado o emprego e estava a escassas horas de embarcar ela pede-lhe que não o faça.
Afinal estava confusa e achou que tudo poderia ser uma precipitação. Ele fica na mais profunda tristeza. Regressa a casa dos pais. Não encontra qualquer razão para viver senão ela, a Maria. Torna-se maçador a tentar perceber o porquê. Perde a concentração. Perde a dignidade. Perde o emprego definitivamente por erros que não se permitem a um médico cirurgião. Quando começa a tentar levantar-se já não sabe como se volta ao mundo dos vivos. Age como um adolescente. Até que o acaso o leva a reencontrar um novo entusiasmo. Vai-se recuperando pouco a pouco e o meses passam. Finalmente, o seu sogro está às porta da morte e Maria regressa. ele vai busca-la. Ela pressiona a voltar. Quer recuperar tudo o que perdeu. Já não há amigo do pai, não há Miami, não há nada. Sente falta da casa deles, sente falta do mimo, do cheiro de tudo. Ele ainda hesita, mas percebe que aquela já não é a sua casa. E aposta num novo caminho.
Eu já fui o Javier, e já fui a Maria. Já vi nuances diferentes da mesma história. Já vi Marias que foram recebidas e que tudo voltou a ser quase como era.
Já vi quem acordasse a chorar, viver a cafés e cigarros, penasr que tinha "esgotado a capacidade de amar"... enfim... Já vi também precedentes que se abriram e que nunca mais se sararam. Mas garanto que todos os finais são possíveis.
Se eu fosse ela nunca teria ido.Ensinou-me a vida depois de ter estado lá...mas embora Maria... o meu filme é outro!