quinta-feira, 23 de março de 2006

Di...


Esta era a minha chefe. Uma grande amiga -1,75 . Foi até à cerca de um mês, agora já não é. Já fizemos tanta coisa juntas. Alguém diria "Tanta merda juntas" (eu nunca fiz nada disso com ela mas já assisti a esse momento, muito embora ela demore tempo a mais para a minha média de aguentar o cheiro). Somos muito diferentes, ela tem quase mais 20 cm do que eu, faz covas a rir. Eu também tenho, mas noutras bochechas, as minhas - covas - são várias e acentuadas.
Bom, depois de 5 anos de vaivém separamo-nos à seria, não sei se vai ser definitivamente. Não acredito que esta separação seja para sempre. Há algo que nos une... como diria o outro... MUITA MERDA! Mas pelo sim pelo não, fica aqui a minha amiga. Mais uma das diiiiiiiiiiiiiisssssssssss

de volta

Cá estou eu, de volta, cheiiinha de novidades e saudades de deixar aqui a marca dos meus dias, para daqui a uns meses poder voltar a reler-me e rir das patetices que então eram tão importantes.
Por isso vou ser rápida, não me vou estender (ao comprido) com grandes divagações, opiniões, comichões, impressões, opressões, repressões e todas as outras acabadas em "ões" que inclui camiões, ou em brasileiro , caminhões, fogões, furacões, canções. O dia está feio e eu também. Estou cheia de sorte, pelo menos não me sinto sozinha. É sempre mais fácil sermos dois a viver a mesma sensação - e diga-se que ele está bem pior do que eu! Chove torrencialmente e ouve-se o vent a bater nos prédios enormes da quinta do lambert... lambert... lambert... não se lê o T e faz-me lembrar ... tanta coisa.
Volto daquinada... quisses e gudbais.

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

Fetiche


Cabem as mais diferentes porcarias sempre com uma boa desculpa… é fetiche. Sodomia, maso-sadismo, halterofilismo, o corpo besuntado com comida, banhos de chantili entre pêlos ou púbis rapadas, lutas de lama, frascos com pós que aumentam os músculos, algemas, cuecas pequeninas, wc’s de aviões, de discotecas, bancos do carro, tabeliers, relva, dispensas, quartos de irmãos, cama dos pais, rendas, folhinhos, cremes, tintas, sedas, tigresas, cera, objectos cortantes, silicones, botox, wonder-maravilhas para rabos e maminhas, tatuagens… enfim, um sem número de artefactos implícitos nos comuns conceitos de malícia e perversidade.
“É um fetiche que tenho!” ouvimos. Podemos, então, sujeitar-nos ou não aos caprichos, imposições ou meras sugestões dependendo da vontade, do agrado ou da submissão.
Geralmente vem dos homens.
Os homens sugerem aquilo que as mulheres desejam.
As mulheres que sugerem são porcas, são desavergonhadas.
Os homens que sugerem são criativos e dinâmicos. É impressionante a diferença que têm o sexo de quem sugere.
Ao homem muito mais é permitido do que à mulher. Há uns tempos escrevi isto, ou pelo menos disse: num primeiro encontro o homem que não insiste é tão mau como a mulher que se deixa ir. O homem que num primeiro encontro não tenta ir até ao limite é fraco, é panhonha e provavelmente nem sequer é másculo… a mulher que se deixa ir é fácil, descartável e em última instância não serve para namorar. Então porque se exige um comportamento que sugere algo que, na realidade não se deve concretizar se se pretende uma relação futura? É um perfeito contra-senso. Mais. A maioria das pessoas, homens ou mulheres procuram essa relação futura. Querem dar de caras com a tal cara-metade que estará algures perdida na multidão de gente com que se cruzam ao longo da vida.
Não faz sentido e é uma irracionalidade que alimentamos com os preconceitos societais impostos pela mentalidade portuguesa mesquinha. A frase “na horizontal somos todos iguais” é aparentemente de uma enorme brutalidade, mas reduz a uma simplicidade uma verdade inesgotável. Independentemente dos preconceitos, fetiches todos temos….e como diz o “outro” – um qualquer e qualquer um – andamos todos ao mesmo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

Euromilhões

enquanto o dia é mais ou menos igual ao de ontem , e muito provavelmente parecido com o de amanhã, acho que vou ver os tais investimentos. Mas confesso, preferia ser dondoca. Aliás, adorava ser dondoca. Adorava ter pasta, money, argent, pastel, cacau, massa, estar cheia dele, saltar-me dos bolsos, ser podre... Adorava. Digo já aqui, para o caso de ganhar um Euromilhões que não jogo, o que faria se fosse milionária:
- Comprava uma volta ao mundo...
- Um prédio com 8 andares, e arrendava todos.
- Uma casa, tipo quinta, palácio, palacete (até me tremem as mãos só de escrever!) em plena Lisboa.
- Criava uma empresa de transportes nacionais (para substituir a velha Resende e a famosa Eva, que me entala as pernas em cada viagem que não consigo evitar fazer).
- Oferecia ao país uma extensão do metro até ao aeroporto.
- Jogava na bolsa, no casino e no bingo até ao máximo imposto por mim, e pelo meu advogado, queria o não-sei-quê martins candidato a Presidente da República, de 50 mil euros.
- Tirava um curso de arte dramática só pelo prazer.
- Inscrevia-me novamente - e com vergonha na cara - no ginásio dos senhores Holmes e Place com link internacional.
- Oferecia um pé de meia, a meia e até o sapato às manas.
- Criava um centro Cultural na Vila dos Arcos de valdevez.
- Comprava um T3 ao B e... um carro novo - eu meu nome, está claro!
- Um flat em São Paulo.
- Um 18m2 em Paris.
- O máximo de terrenos que conseguisse...
- Um canal de televisão...
- Um rim novo
- Uma fábrica de sapatos
- Um kit de maquilhagem profissional
- Uma massajista tailandesa
- Um cabeleireiro
- Perucas de todas a cores, feitios, formas ....
- Uma televisão de écran XPTO
- Uma Play Station
- Uma Barbie (nunca tive...)
- Um partido político
- Vários políticos
Se ganhasse o Euromilhões, que não jogo, acho que teria de ser internada. É a velha mania das grandezas....

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

pilas

O Simão é um bébé que eu conheço. Chamo-lhe os mais diferentes nomes: “pirulas”, “pilas”, “beps”, “poki”, “pokipoki”, “merilino”, “bolas”, “bolinhas”, “lirulas”, “liruliru”, “calhoto”, “ximoca”, “ximi, “xims”, “mãozinho”, bebé e muitos outros que prefiro nem sequer escrever.
Este efeito que os bebés provocam em nós, adultos faz-nos parecer ainda mais infantis do que eles próprios. Às vezes chamo ao Simão “lirulas” ou “pilas” e ele ri-se. Sorri mesmo, com uma expressão que também me faz sorrir. Provavelmente pensará, chamares-me pilas???
Pilas??? E solta uma gargalhada. Também eu soltaria uma se me chamassem pipis. E até poderiam chamar com mais propriedade porque afinal todas as Filipas são “pipas”, “pipis” e outros nomes parecidos. Mas Simão não tem nada a ver com pilas, muito menos com “lirulas”. Voltando às pilas, se fosse “pilinhas” ainda se percebia, agora “pilas”, não faz sentido nenhum – ainda só tem seis meses. Já “lirulas” parece adjectivo para maluquinho. “poki” é mais de desenho animado, “calhoto” vem de porcalhoto, mas ai também teria de ser condescendente. Se está porcalhoto é porque não lhe mudaram a fralda. Nada disso. Mas soa bem. Chamar a um bebé “pirulas” com aquela vozinha adulta a fazer-se de infantil sabe bem.
Sabe bem ver um “beps” a rir, sabe bem pegar nele dar-lhe abracinhos, e vê-lo cair de sono. Agarrar aquelas mãozinhas gordalhufas e fazer “festinhas de gato” e pensar que ele gosta mais de nós do que do outro que está ao nosso lado.
Patetas ou não, não resistimos a fazer gracinhas para ele nos devolver outras, a agacharmo-nos e imitarmos patos ou grunhirmos ou ladrarmos ou miarmos como se quiséssemos que ele também imitasse esse sons ou pelo menos os reconhecesse. O mais estranho é raramente sermos adultos ao pé dos bebés, porque no fundo é isso que queremos que ele cresça não a grunhir, nem a miar, nem a ladrar, nem a responder a uma chamada de “poki”, “lirulas”, “calhoto”, “bolinhas” ou “pilas” (e aqui já depende de como ele se desenvolver!), mas que fale e que saiba que é o Simão. Tenho de deixar de ser pateta.

Uma amiga

Temos imensos amigos e ás vezes nem nos lembramos como gostamos deles. Para mim, amigo é aquele que consigo dizer mal mas não permitam que o façam. É essa a condição sine qua non para considerar meu amigo.

Está aqui uma amiga sentada ao meu lado, meia inóspita, provavelmente a pensar na sua vida e eu na dela. Está a ver-me escrever, sem ler e a fumar um cigarro com as unhas pintadas de castanho escuro.

Somos totalmente diferentes. Ela é loira, olho azul mar, estreita, pequenina, muito senhora. Eu sou morena, ombros largos osso proeminente, não envolto em carninha. Ela gosta das festas, do social, das conversas de ocasião.
Adora coleccionar cromos que a bajulam a cada momento. Eu também adorava, noutro tempo. Os cromos são como os sapatos que transbordam do roupeiro do quarto, aliás do closet - ela tem um closet.
Vive numa casa com cortinas indianas transparentes e tapetes da Casa do Campo. Come fatias finas de fiambre do lombo, sem gordura e sem pão e tabletes de chocolate partidas em quatro quadrados gigantes. Bebe champagne na mesa de tampo de vidro da sala e fuma um cigarrito sem travar, realçando as unhas das mãos arranjadas.
É vaidosa. O espelho da casa de banho é enorme, e em baixo tem uma pedra que sustenta perfumes, cremes para todas as partes do corpo, maquilhagem para qualquer ocasião e bijuteria cara de qualidade evidente.
Tem uma balança transparente, e uma máquina anti-celulite. No hall espalham-se quadros, retratos estilizados por uma amiga pintora que realçam os seus mais finos traços.
No frigorífico tem colada a dieta Kellog’s Special K e na varanda um barbecue que nunca estreou. Não há roupa que não se use naquela casa. Não usa, dá. Não se renova e quando a espiral da moda voltar ao mesmo lugar, não recupera e nem sequer tem saudades. Não se lembra. Compra-se outra. Tem um portátil profissional e uma aparelhagem transparente e luminosa (encrustada???) na parede.
O sofá é enorme e ao lado uma mesa que guarda garrafas de wiskey despejadas à semana e colas light. Há bombons por todo o lado. Toda a casa é um bombom. Ela é um bombom. Sinto-me bem ali.
Ralha-me muito, é arrogante. Não gosta das pessoas que eu gosto. Às vezes é antipática. Tem humores. Mal agradecida. Impõe-se. Já me envergonhou quando se envergonhou a si própria. Nem sempre mostra como é. Não deixa que lhe toquemos no fundo. Tem um bom fundo. É como a sua própria casa. Não é a minha cara, não poderia ser. Mas gosto muito de lá ir, sinto-me bem lá.

Saltos

Estava a pensar em temas sobre os quais poderia escrever.

Lembrei-me dos saltos dos sapatos, esses misteriosos andaimes, que podem transformar uma menina em mulher ou uma mulher em menina.
Os saltos são maquilhagem em cara deslavada. São cinto em jeans simples. São cortinados em janelas grandes. Quem anda de saltos está lá em cima, que anda sem eles, está cá em baixo.
De saltos somos altivas, falamos com propriedade, com autoridade, com pretensão. Convencidas e nunca vencidas. De rasos somos hippies, revolucionárias, estamos confortáveis, e vemos tudo com outra lucidez. Sentimos a pedras, não tropeçamos nelas. Andamos com segurança, sem medo de cair, de escorregar.
Com saltos bamboleamos, realçamos as nossas curvas, abanamos o rabo e temos dores nos pés.
Salto é de direita, raso é de esquerda. O salto é Gambrinus, é japonês chique. O raso é peixe grelhado à beira mar ou Bica do Sapato. Salto é Comporta - na variante de “cunha” – como raso é Sagres ou Gerês.
Sem saltos, esticamos as pernas, sentamo-nos num passeio, corremos sem parecer ridículas e temos dores nas costas. Os saltos obrigam-nos a beber pelo copo. Com rasos bebemos pelo gargalo. Saltos são descapotável, rasos são carocha, ou bicicleta. Saltos estão para natação, como rasos para bodyboard.
Saltos são bons para calças compridas, rasos são melhores para calções. O ideal é ter sapatos de todos os formatos e para todas as estações. Ultimamente ouvi falar do meio salto… é uma solução.

Do amor não percebo nada. Mas sei algumas coisas - presumo que o básico. Acordar de manhã a pensar numa pessoa que faz o meu coração acelerar e o estômago contorcer-se com dores que cortam o apetite. Dar-me uma vontade gigante e súbita de ir à casa de banho antes mesmo de sair de casa já atrasada para o tal encontro marcado. Pensar na véspera no que vou vestir, se a depilação está feita, se a perna não arranha e se debaixo do braço não houve qualquer esquecimento.
Faz-me andar com um blush na carteira que uso imediatamente antes de sair do carro, ou no vestiário de uma loja qualquer. Obriga-me a pensar se as meias não estão coçadas – para não dizer rotas – e ver se o soutien e as cuecas não fazem lembrar a minha avó. Faz-me andar com um carregador de bateria para telemóvel no carro e memorizar dois números de telefone e procurar rede ao fim de uma hora sem ela. Impõe-me na memória acontecimentos do dia para ter histórias ara contar. Abre-me sorrisos estúpidos em filas de trânsito no regresso a casa. Dá-me tristezas e alegrias, saudades e vergonhas, abre e corta-me o apetite. Faz-me pensar se o fio dental é porcalhão ou sexy, se o verniz vermelho é ousado ou arrogante, se o gloss é espontâneo ou com efeito premeditado.
Vistas a coisas desta maneira, o amor acaba por ter um efeito estranhíssimo. Faz de mim mulher. Só isso?

livros

Escolher livros sempre foi para mim um problema. Entro numa livraria e perco-me com os títulos que me apetece ter e aqueles que me apetece ler. Geralmente os que me apetece ter são mais romanceados, são clássicos onde me retive horas enquanto estudante. Os que me apetece ler são livros técnicos de sociologia política, autobiografias, história de Portugal, história contemporânea, ensaios e discursos para o país e para o mundo. É estranho este apetite que acaba por me confundir. Geralmente compro uns que quero ler e outros que quero ter e acabo por acumula-los na mesa de cabeceira à espera do dia em que tenha tempo para abrir um deles. Como homem com amante, acabo por ceder à sedução do New Courrier, ou de uma revista de um semanário qualquer e fico-me por ali. Não tenho tempo para leituras que antes sorvia no comboio, nem guardo tempo para leituras que troco para filmes. È mais fácil, e permite-me estar mais confortável.
Ás vezes, às duas da manhã, dá-me uma vontade súbita de ler. Fiz isso há dias, e agarrei num dos que são para ler – ensaios de Vaclav Havel. Três parágrafos depois estava a dormir profundamente. Tenho de escrever um...

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

Sampa

Reduzimos o Brasil ao Samba e ficamos com a frustração de só o ouvido isso no restaurante mais turístico de São Paulo. Sampa é tal qual a letra da Rita Lee, meninas produzidas empoleiradas em saltos, cabelos esticados à chapa quente, debaixo de amalgamas de hidratantes. Casas pequeninas transformadas em restaurantes de luxo que cobram como as lanchonetes janotas de Lisboa. Sampa não tem nada a ver com samba, como Lisboa já não tem nada a ver com fado embora tenha essa fama. Obriguei paulistas a levarem-me ao samba, mas queriam era sons electrónicos em discotecas undreground com decorações freak.
Não tem nada a ver com praia porque nem sequer é Baía, não tem portos, nem mar e o único rio que por lá passa, o tiête é um lodo que arrasta excrementos de favelas maiores que Portugal todo junto e atravancado por prédios gigantes de grades de segurança que sobem ao terceiro andar.
Todas fingem orgasmos, todas preferem rapidinhas, todas são submissas e despreconceituosas. Todas agradam os homens e agradecem – e cedem a um pequeno agrado. Fácil. Todos olham para o lado, são malandros e malandrecos. Mas menos que no resto do Brasil. São vaidosos e siliconados nos locais que menos imaginamos e exibem músculos tão reais quanto os cabelos lisos. Consomem e consomem-se. Aos domingos à noite mais ainda. Na 25 de Março muito. E não se queixam, só dos políticos porque não acreditam nem se fazem acreditar. Cada um por si e deus por todos. Abro os braços mas não os fecho por ninguém. Logo á noite há balada, não querem vir?

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

fim de ciclo

esta semana, um conjunto de pessoas alargado viveu a sensação de fim de ciclo. Esta sensação decorre dos fins de mandato sugfragados em 2001. para mim foram mais de quatro anos. Quatro anos de campanha, Câmara, governo, câmara e agora outras lides. Fizemos imenso. Eu trabalhei como uma louca e à vista estão no meu cucuruto plantados inúmeros cabelos brancos, grossos e firmes. Umas ligeiras rugas nos olhos e vincos na testa. Servem estas para marcar um tempo que chegou ao fim.
É fácil dizer que foi uma brincadeira, que se podia fazer muito mais, que foi uma gestão casuística, que não houve consensos que não se conseguiram cumprir metas e objectivos - que naturalmente se reduzem a um Parque Mayer, a uma Feira Popular e a um túnel que esteve parado. Excluíndo o Parque Mayer cuja solução foi recorrentemente inviabilizada por uma maioria de esquerda na assembleia Municipal, o restante foi obra cumprida. Mais. Fez-se muito mais e os bairros históricos têm muitos mais jovens. A cidade tornou-se mais apetecível face às periferias. Quando fui trabalhar para a campanha falava-se de Telheiras, Alta de Lisboa, Casal de Mouros etc. Agora fala-se na Sé, na Baixa, no Bairro Alto, em Alcântara, na Bica, em Santa Catarina, no Castelo.
Por agora não vou dizer mais....

quarta-feira, 31 de agosto de 2005


A Casa do Castelo fechou no fim de semana passado. Para grande pena de uma série de gente que agora terá de procurar um novo spot de verão. Durante não-sei-quantos anos esteve aberta na silly season – I’d rather say hot season - com musica comercial deixando ao rubro até de manhã ( e ás vezes à tarde ) gente de todas as proveniências e idades. Para mim é menos um problema. Invariavelmente, todos os verões acontece-me uma coisa estranhíssima – uma hesitação entre o ir e o não ir a uma festa que sei que vai acontecer na Casa do castelo. Este ano fui a uma. Foi exactamente no sábado passado. Em plenas avencas recebi um telefonema desafiador e resolvi ceder. No programa o que mais me aliciou foi a possibilidade de ir jantar a um restaurante em plena 125 cujo menu se destacava pelos baixos preços de um leitão, uma picanha, uma sangria e outros gourmets ( que ensaio para incluir no menu do meu restaurante em Paris – cf. Artigo anterior). Adorei, confesso. Demorámos hora e meia a chegar e o jantar foi de cair para a banda…. Depois o resto. Casa do Castelo, um amigo que nos encaminhou e encurtou substancialmente a fila, cartões de 30 euros que nem as tostas encheram porque sem darmos conta acabamos por entrar na zona “bar aberto” e ali ficar até ser dia.
Disseram-me que houve fogo de artifício, aviões, palmas, lágrimas, óculos de plástico oferecidos por um patrocínio qualquer, gente gira, gente feia, cabeleireiras fashion e outras da banlieu, unhas de gel, tops da zara e Bubble. Eu não vi nada disso. Achei que a discoteca estava gira, gigante, impessoal, e igual. Não vi nada de novo senão casais da moda que há muito não encontrava ao vivo. Fui à tal festa de Verão e foi suficiente.
Para o próximo ano não há mais. Paciência. Acho que não vou sentir muita falta, aliás nenhuma. Para o ano vou, de certeza encontrar os mesmos de sempre num outro lugar qualquer porque as alternativas encontram-se, nunca se esgotam. Agora ao tal restaurante vou voltar de certeza. Esse não vai fechar e deixou-me saudades… e água na boca.

quarta-feira, 17 de agosto de 2005

Negócio

Tenho outra ideia, mas preciso de opiniões: uma loja exclusivamente de roupa e adereços para casamentos. Vestidos, écharpes, véus, tafetás, chapéus, modelos por medida. Um acostureira brasileira que fique atrás de uma cortina mas que de boa que mãos que seja transforme um trapinho num modelito armani para semi-gordas como eu. Que acabe com o comum dilema feminino de recorrer à pindérica Tintoreto que acerta mais em mães, à invariável e cara Loja Amarela, à irritante Maison, ou às incógnitas que só algumas conhecem em ruas estreitas com coisas giras, mas bem acima do que deveria custar uma roupa que serve só para impressionar num dia. Uma espécie de Osklen para festas, a preços... competitivos (gosto desta forma tão equívoca de falar em acessível).... uma coisa à frente e não execessivamente cara. Uma Mar hum de casamentos, baptizados e festas mais gala... mas que não nos leve a arriscar o kit zara disfarçado com acessorize, facilmente decifrável por tias, pseudo tias e aspirantes a tias ou que passam dias na praia a decorar marcas italianas e cortes que cabem em elle Macphersons mas nunca na tradicional estatura portuguesa ainda que lipo-aspirada, delineada a botox e silicone alterada por saltos de 17 ??? cm

terça-feira, 16 de agosto de 2005

Estamos ricas

Custa-me imenso voltar de férias, sobretudo porque não estou habituada a férias. Há 4 anos, mais ou menos não tenho férias normais, não tenho dias certos nem planos previamente estudados com mapas e guias freak da internet onde se pode saber o restaurante freak/chique a dar - mas secreto - de um qualquer spot alternativo. Custa-me e está-me a custar este primeiro dia que julgava suceder-se a filas intermináveis de carros na A2 e, quiçá na Nacional que me obrigariam ao pára arranca que me habituei dos tempos de 3 meses de ditas férias em família. Nem trânsito, nem filas, nem nada... Foi como se tivesse estado um fim-de-semana no algarve com calor de verão e enchente de Páscoa, o que é bom mas algo deprimente. A saison está a acabar e é um tirinho até ao regresso às aulas do continente, carrefour, feira nova e dos outros todos. Não me apetece nada voltar ao inverno em Lisboa, com o casaquinho a pingar e buracos na segunda circular à volta dos meninos, à volta da fogueira... eu não vou andar à volta dos meninos. Acabou... Acabou.... prefiro aquecer as mãos num aquecedor, ou montar um restaurante em Paris de comida tradicional portuguesa... um spot freak chique que apareça nos guias que ainda não compro. Dou-me seis meses para uma licença sem vencimento e telemóvel pago por uma conta qualquer desde que não seja a minha que já rasa o fundo ao tacho... por falar em tacho... agora é que é vê-los a fumegar.... como no meu restaurante em Paris que vai deitar um cheirinho que atravessa sebastopol (não sei se se escreve assim) e termina no Sacré Coeur... Mana! Estamos ricas!!!!!!!!

terça-feira, 9 de agosto de 2005

Aquece o Coração...

A minha avó, das minhas irmãs e dos meus primos para além de nos ensinar a comprar compulsivamente qual grito do ipiranga contra a frugalidade imposta pelo meu avô ao longo de décadas que não presenciei - pré e pós IIª guerra Mundial, ensinou-nos outras coisas. Uma delas marca a nossa família. Faz de nós seres diferentes, particulares. Refiro-me à premeabilidade à publicidade. Se a TV diz que é bom é porque é, ou pelo menos na maoiria dos casos. Mais, a senhora do outro lado deveria ser um exemplo a seguir. Daí que aos oitenta e tal seja totalmente permissiva face a comportamentos inaceitáveis no «seu tempo» que eu acho que é mais o meu do que o dela e adore o que a minha geração adore - passear. Com o penteado a Isabel IIª, Laura Barreiro, sempre de mise composta e plix q.b. - que para quem não conhece fique a saber que se trata de um frasquinho pequeno de gotas transparentes que seguram os caracóis durante tempos indeterminados - ouve falar em passeio, viagem, avião, autocarro, comboio, estrangeiro, guia, mapa, restaurante, mala, rodinhas, bilhete, passaporte e prepara-se com uma atencedência que a idade assim exige para a partida. Uma mala de comprimidos, bombas da asma, pomadas e mezinhas para dores, pés inchados, atrites, renites, gastrites, estomactites e todas as outras ites que o seu vocabulário pouco técnico mas actualizado pelos suplementos da Mulher Moderna, grupo Impala assim lhe fornecerem é sempre a primeira a ficar pronta. Segue-se da roupa, com peças para as diversas estações não vá o "diabo tecê-las", outra para sapatos porque apesar de percorrer quilómetros a fio em passeio os pés incham-lhe muito e precisa dos chinelos para a noite, ténis para andar por casa, sapatos para usar com as calças, os mocassins para ir aos museus... enfim sempre precavida, Laura Barreiro senta-se duas horas no canto do sofá à espera que a vão buscar a casa para a passeata seja ela onde for. Deve ter sido desse gosto que nós, netos herdámos uma vontade iminente de sair, viajar... mas não era às viagens que me referia quando comecei a escrever este post. Referia-me a uma particularidade que considero muito própria, a brasa. A Brasa pde ser Mokambo, ou Tofina, Nescafé ou outra marca branca qualquer. Trata-se de uma mistura soluvél com cheiro a café e sabor a qualquer coisa que não café. Foi ela que, tal como no anúncio, insistia com os netos repetindo o slogan: bebe uma Brasinha que aquece o coração. Daí que de manhã, depois do almoço e muitas vezes depois do jantar, sobretudo quando estamos em família, se assista, à mesa, a uma distribuição de chávenas de café, açúcar, desse pó misterioso e um agitar de colheres que fervorosamente transformam os ingredientes desta secreta bebida numa pasta que misturada com água quente se transforma num espumoso... quase-café. Cada vez que bebo lembro-me da avó Laura e aqueço o coração.

sábado, 16 de julho de 2005

As coisas que não se dizem

Aquelas que nós fazemos e temos vergonha que descubram que as fizemos, embora no fundo até nos apeteça partilha-las. É tramado... posso dar um exemplo: deixei de fumar à uma semana... o resto não digo...

Mas há mais...

Por exemplo, ter de estudar para um exame, ou pelo menos organizar as cábulas que passaram da mão de uma qualquer organizada aluna para o sótão da minha irmã e vieram a mim sublinhadas, anotadas, dobradas... e eu nem paciência para as lêr tenho....

terça-feira, 28 de junho de 2005

Ignorância

Há tempos escrevi aqui que não percebo nada de música. Não percebo, mas adoro. Talvez até perceba mas só mesmo por intuição. Sou mais ou menos como a Bábá. Se me explicarem, percebo tudo e disfarço muito bem. Basta sussurrarem-me ao ouvido. Por exemplo, quando não faço a mais pequena ideia do que aconteceu numa determinada data, e me explicam falam nos intervenientes de um dado facto como se tivesse sido “nosso” colega no liceu Pedro Nunes – esquecendo que a minha diferença de idades para o meu interlocutor é de não menos de 20 anos – disfarço com um sorriso e um aceno suave com a cabeça e abro bem os olhos como se estivesse a perceber exactamente do que me estão a falar. Mentira. Mentirona. Mentirissima. Não sei, e às vezes até fico sem saber, sobretudo quando o interlocutor não me dá pistas... depois vem o problema da memória. Tento, é certo, investigar no ponto de navegação virtual mais próximo, mas esqueço-me de palavras chave importantissimas para chegar ao meu fim... e, lá está, reservo-me na minha ignorância à espera de não ser apanhada. Esta é uma das razões que fiquei chateada de ter deixado escapar a Feira do Livro. Maldita ignorância. Ou idade...

quinta-feira, 28 de abril de 2005

Brincar às casinhas

É uma paranóia como outra qualquer, mas sempre adorei brincar às casinhas. outros preferiam brincar aos médicos com as as amiguinhas e as pilinhas e os estetoscópios. Eu preferia brincar às casinhas.
Tinhamos um armário de prateleiras que um qualquer carpinteiro alcobacense inspirando num futuro o Sr. Ikea, onde cada rectângulo era como uma divisão da casa. Quartos mobilados com caminhas de madeira, almofadas feitas à mão, bonequinhos miniatura importados de Ayamonte e mesinhas de madeira com serviços de plástico e loiça. Tudo em inho, porque era "pequenininho".
Eu era dona de uma batedeira, mas a Rita teve direito a um frigorífico - diga-se "topo de gama" - com luz e tudo - e de uma máquina de lavar a roupa. A Joana tinha uma boneca com um disco incorporado nas costas e um outro subesselente - escreve-se assim???. A mesma boneca, chamada Mocosete (marca espanhola lida por criancinhas de 3, 4 e 6 anos) tinha uma particularidade, fazia chichi quando se apertava uma perna. Foi didáctica. Já na altura detestávamos mudar a "roupa da cama" desnecessariamente, e limpar nódoas amareladas provocadas por sumo.
Deve ter sido de então que ganhamos "o bichinho" - e como detesto a expressão "o bichinho"!?!!! meu caro Zé Carlos Ari dos Santos que faz cá tanta falta- esta coisa maluca, não dji fazê chichi, mas de inventar casinhas para mobilar e pôr cortinados e reabilitar e reconstruir e imaginar e redecorar e enfim, tentar com o mínimo custo proporcionar o maior conforto estético.
Este fim-de-semana foi em Sagres. Bem, quase Sagres. Os calos na palma da mão são a prova. Mãe, pai e filha. Tudo de rabo para o ar a tentar transformar 20m2 de um palheirito numa cottage freak, chique e hip (hippie). Não conseguimos. A auto-didácia do homem das obras cortou-nos as vazas (e continuo sem perceber os que são as vazas), com um azulejo a cobrir a quase totalidade de um vão de escadas que se pretendia rústico. Enfim, foi o que se conseguiu. Faltam as cortinas da casa de banho, de um poliban de 60cm/60cm e que permite um banho de lado. Falta a mesa da cozinha que cederei ao Sr.IKEA, que se tenha em saúde e se conserve, e um pequeno armário para pratos e copos. Faltam as escadas que já estão encomendadas e o varaõzito para ajudar a subir. A televisão, imprescindível. E clientela. Se possível que não seja só apertar uma perna e comece a fazer chichi. E que não suje a "roupinha de cama". E não pregue aleatoriamente pregos nas paredes por forma a espetarem-se num bracinho que distraído por lá roce.
Clientela e nós, os do costume.

sexta-feira, 22 de abril de 2005

Nas terras pequenas os jovens ou se dedicam ao desporto, ou têm uma banda ou afundam-se nas drogas. Esta frase ficou marcada na minha memória depois de a ler numa entrevista à Sónia (para os amigos dela Soninha presumo, ou Sony, ou mesmo SONE, de capri - não da terra Capri, mas do tão famoso quanto saudoso e agradável ao tacto CapriSone) dos The Gift - leia-se "Daguife". Também eu sou um bocadinho de Alcobaça, terra da fusão do Rio Alcoa com o Baça, podia ser de Alcofa e do Bessa, mas assim seria alcofessa e não. Não é. É Alcobaça. Essa terra onde aos 5 anos se anadava na natação, no ténis, na patinagem artística (na altura a 4 rodas e muitas esferas), no piano e preparavamo-nos para os cursos de línguas que num futuro próximo abririam no único e primeiro centro comercial, agora presumo que velhote e semi abandonado, destronado por um qualquer Shopping com Zaras e Mangos.
Mas na nossa inocência, lisboa era muito melhor, porque não tinha apenas um Cinema com matinés repletas de criançada ao Sábado e ao Domingo de manhã. Em Lisboa explodiam amoreiras a cada canto. Por falar em amoreiras, em alcobaça andava-se de bicicleta nas ruas e um dos maiores entretenimentos infantis era o culto dos bichos da seda. A incessante busca de amoreiras para alimentar essas minhocas cedo tranformadas em borboletas malcheirosas e porcalhonas praticamente asfixiadas em caixas de sapatos apanhadas à porta da única sapataria de alcobaça ou importadas de Lisboa - de um fugaz fim de semana em visita aos avós e em compras intensivas numa manhã de sábado, à Bambi em Campo de Ourique.
Das bandas não posso falar. Abandonámos a terra cedo de mais. Das drogas, bom, não consigo encontrar qualquer diferença com o que se passa e passou na minha adolescência dividida entre o centro de Lisboa e a banlieu de elite. A única diferença talvez seja a variedade das drogas e a falta de opção evidente, ou como diria um amigo meu (e de muitas outras pessoas) Evidenti!!!!!!!
Abraços largos e cheirosos